A ideia começou de um jeito banal: um motorista olhando para o extrato no fim do mês e não entendendo para onde o dinheiro tinha ido. O aplicativo mostrava faturamento alto. A conta bancária, não.
A diferença entre os dois números tem nome — combustível, manutenção, pneu, óleo, depreciação, IPVA, seguro — e é invisível no momento em que importa: na hora de apertar aceitar.
Foi dessa distância que nasceu o Muvaro, desenvolvido por [NOME] e [NOME] na Grande São Paulo.
“O aplicativo te mostra quanto você vai receber. Ninguém te mostra quanto você vai gastar para receber aquilo.”
Um cartão que aparece por cima da oferta
O Muvaro fica em segundo plano. Quando a oferta aparece na tela da 99 ou da Uber, ele lê valor, distância, tempo e nota, faz a conta com os custos daquele carro e devolve um veredito em menos de um segundo: verde aceita, vermelho deixa passar.
Não é R$/km de tabela, nem percentual chutado. O cálculo usa o consumo real do veículo, o preço do litro no posto onde o motorista abastece, a manutenção peça a peça com a vida útil de cada uma, e a depreciação corrigida pela quilometragem — porque carro de aplicativo roda num mês o que um carro particular roda em quase três.
Telas capturadas durante o teste, em corridas reais na 99 e na Uber. Os endereços dos passageiros foram borrados.
Entrando num espaço que já tem gente boa
O motorista brasileiro já conhece ferramentas do tipo — Gigu e Rota Pro estão entre as mais citadas nos grupos. Elas abriram caminho e provaram que existe demanda para algo que o aplicativo de corrida não entrega.
A aposta do Muvaro é num ponto específico: mostrar a conta. Todas as fórmulas estão publicadas no site, com os números na mesa, para o motorista conferir e discordar se quiser. Quem confia num número que não pode checar está confiando no vendedor, não no número.
O segundo ponto é privacidade. O Muvaro não tem servidor guardando corrida de ninguém: o histórico, as esperas por restaurante e os custos do carro ficam no aparelho. Se o celular for trocado, os dados vão junto — e se a empresa fechar amanhã, ninguém fica com nada do motorista.
Faltam 12 motoristas para o aplicativo ir para a loja
Antes de liberar na Play Store, o Google exige um teste fechado: doze pessoas usando o aplicativo por catorze dias seguidos. É essa a etapa de agora.